Sou manhã de inverno
desboto dos teus olhos escuros
lâminas úmidas de dor.

Nas flores desenho versos
sou orvalho de poucas letras
reticências fúteis cristalinas
minhas estrelas de tom azul

Eu brilho solta no ar.

Na terra me rendo prata
de joelho saboreio tua pele
absorvo amargo o abraço
faço fotossíntese de amor

Eu brilho solta no ar.

E a noite nos encobre
dispo-me inteira danço nua
sou tua lua desfigurada
transito na tua mente barata

Sou um ciclo que te completa
e sem querer gentilmente eu fico
(mais uma vez)
amanheço no teu céu azul-marinho.

Não vou embora, vou te esperar.

Elisa Bartlett. (via oxigenio-dapalavra)

sofregamente:

por que o amor não é suficiente?